Ao longo de minha trajetória pelas artes visuais, a pintura tem sido a área da qual mais tenho me aproximado. Costumava entende-la, junto aos desenhos que faço, como formas de pensar através das mãos, caminhos que me ajudavam a entender o espaço e questões ligadas ao corpo e ao gesto. Hoje, a pintura e o desenho são, também, o resultado do processo.

O trabalho que venho realizando pode ser dividido em três eixos: o esquecimento, as topologias e as transmutações.

O esquecimento são ações em diferentes suportes (fotografia, vídeo, objetos e desenho) que partem de uma longa pesquisa sobre o apagamento como um modo de escrita. A borracha marca, inscreve. Os vestígios e rastros podem compor uma imagem.

As topologias vêm da ideia de torção, trabalhos que se apropriam de superfícies torcidas como a fita de moebius e garrafa de Klein – dimensões em que o dentro e o fora coabitam no espaço, materializando um paradoxo. São as imagens infinitas desse paradoxo que me interessam.

As transmutações são materializadas em personagens performáticos – as criaturas. São seres vivos, corpos que surgem de fabulações entre o existente e o inexistente. Através dessas criaturas fabuladas, crio diferentes trabalhos em vídeo, texto, fotografia, pintura e desenho, expandindo as possibilidades de invenção – e transmutação.